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Capítulo 6 de 12 · O que é dinheiro?

Bretton Woods e o fim da conversibilidade

Texto educativo. Este conteúdo explica conceitos e história; não é recomendação individual de investimento nem promessa de retorno. Números, taxas e situação regulatória têm data-base de e mudam com o tempo. As referências entre colchetes — [1], [2]… — estão na seção Fontes.

O padrão-ouro

No padrão-ouro clássico, que vigorou nas principais economias entre o fim do século XIX e 1914, cada moeda nacional era conversível em ouro a uma paridade fixa. Isso não significava que cada cédula estivesse coberta por ouro guardado: as regras de reserva variavam de país para país, e em geral o ouro cobria só parte das notas em circulação [15].

Bretton Woods (1944)

Com a Segunda Guerra Mundial ainda em curso, 44 países se reuniram em Bretton Woods, New Hampshire (EUA), para redesenhar o sistema monetário internacional [12]. O acordo estabeleceu:

O choque Nixon (15 de agosto de 1971)

O sistema tinha uma tensão estrutural: com o tempo, passou a haver mais dólares em mãos estrangeiras do que ouro nos Estados Unidos, e o país ficou vulnerável a uma corrida ao ouro [13]. A França de Charles de Gaulle foi a crítica mais aberta: em 4 de fevereiro de 1965, De Gaulle defendeu a volta ao padrão-ouro e propôs que os países acertassem seus déficits externos somente em ouro [38]; mais tarde, a França deixou o pool de ouro de Londres, que se desfez em março de 1968 [13]. A imagem, muito repetida, de um navio de guerra francês enviado a Nova York em 1971 não tem confirmação segura; De Gaulle, aliás, havia deixado o poder em 1969.

Na noite de domingo, 15 de agosto de 1971, o presidente Richard Nixon anunciou o fechamento da "janela do ouro": governos estrangeiros não poderiam mais trocar dólares por ouro [13].

Consequências

O sistema de Bretton Woods e o que veio depois Desenho em dois quadros. Acima, 1944–1971: as demais moedas atreladas ao dólar em câmbio fixo mas ajustável; o dólar, no centro, conversível em ouro a US$ 35 por onça-troy, com conversão só para governos e bancos centrais estrangeiros. Abaixo, depois de 1971: as moedas passam ao câmbio flutuante e o dólar continua no centro, sem conversibilidade em ouro. 1944 – 1971 Demais moedas câmbio fixo, ajustável Dólar centro do sistema Ouro onça-troy US$ 35 por onça-troy conversão só para governos e bancos centrais estrangeiros depois de 1971 Demais moedas câmbio flutuante Dólar no centro do sistema agora sem conversibilidade em ouro
O arranjo de camadas que o texto descreve: em Bretton Woods, o dólar ligava as demais moedas ao ouro a US$ 35 a onça-troy — e a conversão era privilégio de governos e bancos centrais. Depois de 1971, o dólar ficou no centro sem essa ligação.

Desde então, o valor das principais moedas não depende de uma quantidade de metal, e sim da confiança em quem as emite e na economia por trás delas.

Fontes

Acesso a todas as fontes on-line em 15 de setembro de 2026. Os links são normais: a página não carrega nenhum recurso de terceiros.

  1. FEDERAL RESERVE HISTORY. Creation of the Bretton Woods System. https://www.federalreservehistory.org/essays/bretton-woods-created
  2. GHIZONI, Sandra Kollen. Nixon Ends Convertibility of U.S. Dollars to Gold and Announces Wage/Price Controls. Federal Reserve History. https://www.federalreservehistory.org/essays/gold-convertibility-ends
  3. U.S. DEPARTMENT OF STATE, Office of the Historian. Nixon and the End of the Bretton Woods System, 1971–1973. https://history.state.gov/milestones/1969-1976/nixon-shock
  4. BORDO, Michael D. Gold Standard. The Concise Encyclopedia of Economics, Econlib. https://www.econlib.org/library/Enc/GoldStandard.html
  5. U.S. DEPARTMENT OF STATE, Office of the Historian. Foreign Relations of the United States, 1964–1968, v. VIII, doc. 36 — Editorial Note (entrevista coletiva de Charles de Gaulle, 4 fev. 1965). https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1964-68v08/d36